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Autos, entremezes e vilancicos
A origem dos autos de Natal perde-se no tempo e crê-se que as primeiras
representações deste género teatral foram impulsionadas pela própria
Igreja para melhor divulgar as suas doutrinas. Em Portugal, o dramaturgo
que maiores êxitos alcançou foi Gil Vicente, sendo ainda hoje as suas
peças muito apreciadas e procuradas pelo público. Muitos destes autos
tem um carácter estritamente popular e por esse país fora ainda se
representam anualmente. Recorde-se, por exemplo, em terras de Viana o
Auto de Floripes, felizmente já estudado por especialistas, e que
constitui um verdadeiro atractivo turístico nesta quadra natalícia.
Infelizmente, os grupos de teatro amador
espalhados, por esse país fora, não costumam aproveitar esta fonte de
inesgotável riqueza etnográfica, para darem a conhecer a nossa juventude
algumas das tradições mais genuínas do nosso povo.
Quanto aos entremezes, que eram curtas
representações teatrais de espírito jocoso ou burlesco, são vulgarmente
designadas por farsas, género que Gil Vicente igualmente cultivou no
decurso da sua obra. Presentemente, os entremezes raramente os
representam.
Finalmente, os vilancicos são madrigais que
se cantavam nas igrejas por ocasião do Natal e dos
Santos Populares, mas
que hoje caíram totalmente no esquecimento e poucas são as localidades
em que ainda se conservam.
Enfim, de um modo geral, procurando ser
breve e sucinto, penso que sobre as tradições do Natal português muito
mais haverá que dizer se bem que cairíamos no aprofundamento das
questões levantadas o que só contribuiria para a saturação do leitor.
José Carlos Vilhena Mesquita
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