|
“(…) A Igreja Católica festejava no dia 1 de Novembro todos aqueles que,
sendo judeus ou não, haviam sido, na imagem do Apocalipse, assinalados
na fronte pelo anjo do Senhor. Esta festa coincidia com os sacrifícios
romanos aos manes e almas dos mortos (6 de Outubro), a morte de Ísis
(17-20 de Novembro) e os sufrágios pelos gauleses e gregos enterrados
vivos em Roma, no mercado dos touros (27 de Novembro). Essa tradição
romana ainda perdurava no Alto Douro no primeiro terço do século XX.
Efectivamente, era nesse dia que as pessoas, sobretudo as crianças e
jovens, se juntavam e iam de casa em casa pedir castanhas e água-pé ou
vinho para fazer um grande magusto colectivo. |
|
Nos concelhos de Murça e
de Alijó podia apanhar-se livremente castanhas nos soutos, sem que
ninguém dissesse nada. No fim do magusto, cantava-se e dançava-se. Era a
festa da partilha dos frutos da terra e, com ela, «dia de alegria,
pândega e estroinice».
Da parte de tarde, as mulheres iam ao cemitério preparar os túmulos para
a visita que se realizaria no dia seguinte, dia dos Finados.(…)”
|