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“(…) O dia 2 de Novembro era o dia de Finados. De véspera ainda, as
mulheres dirigiam-se ao cemitério para enfeitarem as suas campas,
mausoléus ou jazigos com ramos, flores, panos e velas, em tigelas,
círios ou castiçais. Em Carlão (Alijó) colocavam lá também um vaso com
água-benta, para que os amigos do falecido que a+i quisessem rezar
pudessem aspergir o seu túmulo com uma ramo de oliveira. Já no dia, de
manhã cedinho, havia na igreja um terno de missas pelas almas que ainda
sofressem no Purgatório. Quase ninguém faltava. Em Larinho (Torre de
Moncorvo) cantava-se, durante a derradeira missa, este cântico: |
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Triste dia em que o mundo
Deverá ser abrasado,
Por David profetizado,
Naquele abismo profundo.
Nem sois terra nem sois pó,
Nem sois cinza nem sois nada,
Sois uma triste caveira
Que o mundo traz enganada
Lá vai o juiz p’ró trono,
Lá vai dar sua sentença,
Ditosa daquela alma
Que tem feito penitência.
Abre-te, ó livro selado,
Onde tudo está escrito,
Lá não há-de escapar nada,
Nem o mais leve delito.
Pecador, que vais passando,
Reflecte bem como estou,
Eu já fui como tu és,
Tu serás como eu sou.
Concluído o terno, os participantes encaminhavam-se, em cortejo, para o
cemitério paroquial. Era a procissão das Almas. Em Vila Real, a
procissão, que antes se fazia dentro do recinto do cemitério de São
Dinis, começou em 1926 a fazer-se a partir da Sé e presidida pelo Bispo.
Chegados aos campo-santo, o sacerdote lia solenemente os responsos pelo
falecidos. Para tal fim se colocava, em algumas terras, durante as
missas, um pequeno cesto para recolher dinheiro para eles. No fim da
cerimónia, o povo rezava pelos seus defuntos.
Dizia-se em Coura (Armamar) que, no dia 2 de Novembro, as almas vinham
pernoitar ao cemitério onde estavam sepultados os corpos que foram
seus.(…)” |