|
«De poeta e de louco todos temos um pouco -
diz o povo, baseado na sua prodigiosa intuição e no seu saber todo de
experiência feito.
Mas, se o poeta é o Adão que não pecou, como
disse o escritor brasileiro, Tristão de Ataíde, então o povo, com as
suas virtudes ancestrais, terá de ser o poeta dos poetas.
E assim é, na realidade: ele sente a poesia
na alma e vive dela como do ar que respira. Não se limita a apreciá-la,
mas cria-a ele próprio. E, como para se fazer ouvir, cria também a
música para a acompanhar.
A poesia e a música envolvem-no, como o
sangue que lhe circula nas veias, e acompanham-no, desde o berço até ao
túmulo.
Para amenizar a dureza do trabalho, canta o
lavrador, agarrado à charrua, na lavra dos campos, e o ceifeiro,
agarrado à seitoira, no corte das searas.
(...)»
Continuar>>> |