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(Continuação...)
Com o
aparecimento da energia eléctrica que trouxe inúmeros benefícios à civilização,
apareceram a rádio, a televisão e outros afins que vieram, em parte, contribuir
para o esquecimento e o desinteresse do povo pela sua própria arte. Toda a gente
tem abundância de novas criações, mesmo a nível de música, seu ritmo e sua
letra, em casa, através dos meios de comunicação. O povo, hoje, tornou-se mais
passivo. A máquina faz tudo, enquanto o homem se instala a observar e é óbvio
que assim seja.
Antigamente, havia mais tocadores de concertinas, de viola, de cavaquinho, etc.
O povo
tinha de encontrar as suas próprias distracções e as cantigas populares eram uma
das suas principais predilecções, como o conto, as histórias e as lendas
contadas nos serões à lareira.
Agora não
é necessário fazer-se alguma coisa nesse aspecto, porque tudo está feito e,
todos os dias, surgem novidades artísticas. É a lei do menor esforço.
Aqui fica
este repositório de quadras populares, muitas delas conhecidas por pessoas de
idade avançada, porque muitos jovens desconhecem esses valores antigos, para os
preservar.
Trata-se
de um trabalho modesto, diga-se de passagem, com algumas lacunas, mas creio que
muito prestável aos estudiosos da literatura, do folclore, da história, da
toponímia e da etnografia em geral.
Resolvi
distribuir as quadras por temas, dispondo-as por ordem alfabética.
Quanto
aos temas (religião,
queixume, saudade,
desafio e amor) é sempre um problema
difícil de resolver sem um certo subjectivismo, para o qual gostaria de prevenir
os leitores.
Agradeço
a todos os que me ajudaram, especialmente ao querido povo da Serra d'Arga, ao
meu bom amigo e colega Dr. Lourenço Alves e ao Centro de Estudos Regionais, que
tanto ânimo me deram para a publicação deste trabalho.
Artur Coutinho
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