|
(...) Com
esta edição surge mais uma oportunidade, um registo do que há de mais espontâneo
na poesia e no folclore para cantar as esperanças, as ternuras, os ciúmes, os
desdéns, as dores da saudade, os costumes, as devoções, as superstições, as
agruras da vida, as flores, as plantas, as terras, os topónimos, os trabalhos,
os animais, os santos, os "Manéis e as Marias", as horas, e os dias, as festas e
as brincadeiras, as histórias e as tradições, os amores e as paixões... Quase
sempre é anónima esta musa, tão velha como a história da avozinha do tempo dos
Celtas...
A gente
de Dem ou das Argas quando canta, parece subir os cumes dos montes da Serra.
E do alto
da Costa do Carvalho, dos Cornos de Manes, do Alto dos Muros, do Penedo do Sino,
do Alto da Coroa, do Alto dos Crastros, desafia os vales até se enamorarem e
casarem com eles...
O
Cancioneiro da Serra D'Arga aí está, e as quadras que nele constam foram todas
recolhidas entre 1972 e 1978.
Os bailes
que em Dem ou nas três Argas se realizavam, nessa altura, com frequência, nas
chegadas e nas saídas dos jovens emigrantes, por ocasião de casamentos, de
festas religiosas ou profanas ou qualquer outro motivo para juntar a juventude e
passar tempo, cantando e dançando o folclore da região, já não se fazem assim
com tanta criatividade e frequência.
Também já
não enlevam como naqueles tempos...
Um
rescaldo da vida que foi deste folclore pode ainda ser vivido na festa de S.
João D'Arga, coração da Serra, em 28 e 29 de Agosto de cada ano.
Esta
edição pretende dar continuidade aos objectivos que levaram à primeira
publicação deste cancioneiro... |