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(Continuação...)
Durante
muito tempo, o conceito de cultura andou associado à soma de conhecimentos, de
noções, de experiências e homem culto era todo aquele que dominasse bem qualquer
assunto. Em contrapartida, o homem, que nada sabia, era considerado rude,
ignorante, inculto. Era este o sentido clássico de cultura.
A
cultura, assim considerada, estabelecia barreiras sociais, económicas e, até,
religiosas que, não poucas vezes, descambavam em reivindicações dolorosas.
Até nos
períodos áureos da civilização grega e romana, os maiores luminares da filosofia
e das letras consideravam plebeus todos aqueles que não se dedicassem aos
problemas da cultura.
Achavam
rebaixante para um homem culto exercer funções inferiores, como o comércio e o
trabalho manual, reservadas a plebeus.
Este
conceito de cultura penetrou na mentalidade ocidental e, ainda hoje, não faltam
homens cultos a defender esta concepção.
Contudo,
os tempos vão-se tornando mais permeáveis ao conceito antropológico de cultura.
Foi
Edward B. Taylor quem formulou, pela primeira vez, este novo conceito de
cultura. Depois de estudar aturadamente as civilizações primitivas actuais, que
muitos consideravam selvagens, e de verificar que estes povos, independentemente
do grau de civilização ou do estrato social a que pertencem, possuem esquemas
mentais, instituições próprias para responder ao desafio lançado pelo mundo,
concluiu que cada povo tem a sua própria cultura que urge estudar e respeitar.
E, assim, E. B. Tylor deu a primeira definição de cultura antropológica:
«cultura é o complexo unitário que inclui o conhecimento, a crença, a arte, a
moral, as leis e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem
como membro da sociedade» (Bernardo Bernardi, ob. cit., pág. 24).
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