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»» Cancioneiros Populares - MINHO Pub


«C
ancioneiro da Serra d'Arga»
Quadras Populares

Recolha levada a efeito na Serra d'Arga, nas freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo, Arga de São João e Dem por ARTUR COUTINHO.

 

INTRODUÇÃO - Lourenço Alves


O CANCIONEIRO DA SERRA D'ARGA, que ora sai a lume e para o qual me pediram algumas palavras à guisa de introdução, representa, além de um trabalho metódico e esforçado do seu autor, uma iniciativa muito válida na defesa e preservação do património cultural, expresso na tradição oral portuguesa.

Hoje, fala-se muito de cultura popular, na necessidade imperiosa de a defender, nos abusos e atropelos cometidos contra ela, sobretudo nesta época dominada pela tecnologia e pouca gente possui dados concretos sobre o fenómeno cultural, quer nos antecedentes, quer nas suas implicações de ordem intelectual, moral, religiosa, económica e social.

A cultura, de um modo geral, representa tudo aquilo que o homem produz de válido, como ser pensante. Neste conceito genérico encaixa-se perfeitamente toda a actividade humana desde os tempos mais recuados da pré-história até aos nossos dias, uma vez que exprima uma resposta eficaz ao desafio lançado ao homem pela natureza. Sempre que o homem, individual ou colectivamente considerado, põe o seu intelecto e a sua vontade em acção, quer no plano das necessidades, quer no plano dos desejos, torna-se um fabricante de cultura.

O mandato do criador - possuí a terra e dominai-a - constitui o repto mais deslumbrante e mais trágico lançado ao homem. É que entre o mundo e o homem estabelece-se uma relação dialéctica que estimula o homem à satisfação das suas necessidades e dos seus desejos, etapa por etapa, sem nunca atingir a plenitude. O homem idealiza, trabalha, luta e sofre para concretizar os seus sonhos. E quando julga estar na posse do troféu, nova etapa o solicita. Deste modo, o homem constitui a mola fundamental do motor da história. Mas não só, pois « nas suas escolhas, o homem é condicionado pela sua condição de indivíduo, pelas relações que o ligam aos a outros indivíduos com os quais compartilha a sua vida e a natureza mais vasta que o circunda e dentro da qual está incluído ». (Bernardo Bernardi, Introdução aos Estudos Etno-Antropológicos, pág. 19, 1979).
 

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Fonte: acoutinhoviana

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