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Tecelagem
“O Bragal” – tecido de puro
linho, nasce de um ciclo trabalhoso, a que
ainda é possível assistir em alguns pontos do distrito de Vila Real.
Entre Abril e Maio, a semente – a linhaça – é lançada à terra, cuja
preparação para a receber exige inúmeros cuidados – vessada. São
necessárias as regas certas e muito saber, não vá o tempo pregar alguma. |
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A
escolha do dia do arranque, entre Julho e Agosto, é ditada pelo estado
de amadurecimento da cápsula, “bagalha”. A partir daqui começa o
processo árduo de preparação. Apesar do esforço que exigiam, outrora,
eram realizadas com um forte espírito comunitário, alegre e colorido,
constituindo assim, na sua essência, uma espécie de tarefas-festas,
onde, de uma forma simples, se trocavam os favores entre familiares e
amigos – arrinca e espadada.
O bater ritmado da espadada no cortiço era acompanhado pelo som das
concertinas, canções divertidas e gargalhadas, num misto de galhofa e
trabalho.
O processo:
- Arranque, “arrinca ou arriga”;
- Empoçar;
- Desempoçar e estender;
- Maçar antes do espadar;
- Assear antes do fiar;
- O fazer e cozer na barrela das meadas;
- O lavar das meadas e o estendê-las a corar;
- O converter das meadas em novelos;
- O encher das canelas;
- Urdir a teia;
- Finalmente, o tecer;
(Saber mais sobre as
fases do linho)
É
no tear, verdadeiro “casulo” que começam a surgir os lindíssimos
trabalhos, com desenhos ripados em algodão, tecidos com “suor”, “alma” e
“paixão”, num esvoaçar ritualizado de fios e mãos.
Trás-os-Montes tem fiel representação desta arte em Montalegre, Boticas,
Cerva, Limões, Agarez e Ermelo [também em Couto – Adoufe]. De forma
homogénea, todos os trabalhos reflectem um preciosismo inigualável,
diferindo apenas, num pormenor ou noutro, do desenho ou forma. Aqui
faça-se um merecido destaque para os famosos “manteses” de Limões e
Cerva, minuciosos bordados em relevo, realizados com a ajuda de uma
agulha, tipo renda, no próprio tear. |