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Com a base de madeira e o revestimento em pele, o pé delicado ou
grosseiro acomodava-se e movia-se, ou com graça, ou com segurança e
robustez. O sentido do desconforto aparece posteriormente com o surgir
de mudanças estruturais e sócio-económicas. No caso feminino, mesmo as
classes mais abastadas usavam a soquinha achinelada, bem configurada,
conferindo delicadeza ao jeito de andar. E mesmo o
traje domingueiro era
acompanhado por aquelas tamanquinhas mais perfeitas e envernizadas.
A manufactura, inteiramente realizada pelo
tamanqueiro, desde o corte da
madeira até ao coser e pregar da pele, reflecte a mestria do artista,
verdadeiramente devoto de uma arte com tradição. Apesar de poucos, os
seus continuadores teimam em perpetuá-la. O trabalho agrícola ainda
reclama o seu uso e a acessibilidade a lugares, outrora fechados e
isolados, traz consigo o visitante e o turista que não prescindem de um
exemplar, ou mesmo de uma miniatura dos objectos indicativos de um povo
e dos seus costumes. |