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Rendas e Bordados
A realização da prática artesanal dos bordados e das rendas ascende a
tempos bastante recuados. Ela nasce do jeito e da paciência da figura
feminina, e, crê-se, nas classes nobres, onde o tempo urgia ser
preenchido, o tempo em que a mulher esperava pelo seu senhor. “O Homem,
senhor da guerra; a Mulher, senhora do Lar”.
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O mundo feminino girava então em torno do lar, depois dos afazeres
domésticos e mesmo das lides campestres, o tempo que excedia era
dedicado aos lavores, acentuando-se o sentido da estética.
E lindíssimos trabalhos foram surgindo da minúcia e da dedicação da
mulher que decora a casa e o vestuário com destreza e arte.
Um pouco por todo o distrito [de Vila Real], existem herdeiras desta
ocupação secular, e existirão, na medida em que os trabalhos são
reflexos vivos de uma identidade, que teima em perpetuar-se.
As mãos e os dedos, delicados ou rudes, balançam por entre linhas e
fios, num rodopiar ritmado, concebendo trabalhos de sublime gosto e
perícia.
Faça-se relevo para as rendas de Barqueiros, em especial para os
característicos “panos de gancho”. Estes panos são feitos com, além da
habitual agulha de renda, ganchos de cabelo, utilizados para segurar o
tradicional puxo das mulheres. |