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É a cozedura na soenga, forno escavado no chão, que dá a cor negra ao
barro. Depois de estar em brasa, a loiça é abafada com musgo e terra,
adquirindo o seu aspecto final. É o homem que trabalha na roda de
oleiro. Usa pedras do rio para fazer o polimento das peças, o brunido. É
também com pedras que as mulheres voltam a polir e a decorar.
No quadro da economia rural de tempos não muito distantes era costume
trocar as peças por géneros alimentícios, servindo aquelas de medida.
Por exemplo, um alguidar trocado por duas vezes a sua capacidade em
batatas.
O plástico substituiu o barro no uso quotidiano. Agora já não se faz o
café da manhã na chocolateira, nem se guarda o mel no pote com um bordo
levantado que se enchia de água para desviar as formigas. A talha
vinagreira já é dispensável e não se levam para o trabalho cantis,
morigas ou bilhas com água ou vinho.
A via rápida (IP4) afastou os carros da sinuosa estrada do Marão (EN15)
onde os oleiros mostravam e vendiam o seu trabalho em barracas. Havia,
até há pouco, 40 oleiros em Bisalhães. [Agora restam quatro ou cinco] …
à entrada de Vila Real onde mostram as bilhas do segredo e as da rosca.
A
Feira dos Pucarinhos, realizada em Vila Real por altura do São Pedro
(29 de Junho), continua a ser o local de encontro dos [pouquíssimos]
fabricantes de louça negra e, embora sem as dimensões doutros tempos,
continua a merecer visita.
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